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Uma demanda formada por pessoas com autismo, paralisia cerebral e histeria. Esse é o público que passou a ser atendido por um serviço odontológico especializado e multidisciplinar, numa iniciativa pioneira no Nordeste para realização de cirurgias e outros procedimentos dentários. O Programa de Atendimento Odontológico para Pessoas com Necessidades Especiais foi implantado desde abril passado. De lá para cá, já se realizaram mais de uma dezena de cirurgia e há uma fila de espera de mais de 30 pacientes.

O coordenador do Centro de Especialidade Odontológica (CEO) de Maracanaú, Carlos César Oliveira Carneiro, diz que o serviço surgiu da necessidade de atender uma grande demanda local e nos municípios limítrofes, que teve o favorecimento do CEO funcionar dentro de um hospital secundário. "São pacientes agressivos, violentos que, se passando por sofrimento, se tornam ainda mais difíceis de serem assistidos. Daí que havia a necessidade de se sedar e, em seguida, aplicar a anestesia geral", afirma César.

Ele informou que essa demanda não atendida existe em todo o País, mas são poucos os Estados que oferecem o atendimento de forma regular. Além do Ceará, também acontece em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. "Há uma sensibilidade do poder público com relação a assistir esses doentes. Mas uma norma do Conselho Federal de Odontologia diz que esse tipo de procedimento cirúrgico só pode acontecer num ambiente hospitalar".

César lembra que Maracanaú reuniu as condições favoráveis porque, além da determinação em manter o serviço, o CEO funciona dentro do hospital, o que se pode contar com neurologista, anestesista, médicos e dentistas cirurgiões, enfermeiros e os instrumentistas. Desde a instalação do programa, a demanda em busca de cirurgia vem se distribuindo por Maracanaú e as localidades vizinhas de Pacatuba, Maranguape e até Fortaleza, como o Bairro do Siqueira. A fila de espera decorre da necessidade de exigir dos pacientes os exames pré-operatórios, como neurológico e cardiológico, - a fim de que a operação ocorra com total segurança para o paciente - e da pouca oferta de especialistas.

Acesso

"Num momento em que se instituiu a Conferência Nacional de Acesso com Qualidade podemos imaginar se as pessoas normais sofrem com a dificuldade de acesso, imagine o que acontece com aquelas portadoras de necessidades especiais", afirma César. No caso de Maracanaú, há apenas um neurologista para uma população em torno de 209 mil pessoas, mas que se chega a mais de 400 mil quando se somam com os habitantes das áreas adjacentes", afirma o coordenador do CEO.

O cirurgião dentista Antônio Rafael Oliveira e Silva, especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais, lembra que já havia atendimento semelhante em unidades hospitalares como o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), atendendo apenas crianças, e o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), que atende pacientes em alguns casos especiais.

Rafael explica que o principal atendimento é a cirurgia para a extração de dentes condenados. Mas, a ocasião também motiva que se amplie o atendimento, abrangendo desde remoção de tártaros, restauração até realização de canal.

80% dos paciente que procuram o hospital têm alguma deficiência intelectual, vindo abaixo os autistas e histéricos. Contudo, sempre há uma resistência do doente ao ser conduzido ao hospital, uma vez que o sofrimento já se arrasta por algum tempo, o que o torna ainda mais violento. Nesse caso, Rafael lembra que não se pode prescindir da sedação. Outra preocupação é dar alta no tempo adequado, até como forma preventiva para evitar a infecção hospitalar.

Exemplo de beneficiário foi Carlos Magno Almeida do Nascimento, 44 anos, com histórico de hiperatividade e deficiência intelectual. Sua irmã, Clecivânia Maria do Nascimento, residente no Conjunto Jereissati I, conta que a batalha para uma simples extração de dente começou em 2009. Na época, chegou a fazer um plano de saúde, que lhe havia assegurado no ato da assinatura do contrato que o beneficiário receberia o tratamento dentário especializado. "Passamos por constrangimento e humilhação. Quando o meu irmão sentou na cadeira do dentista, o profissional afirmou que não poderia atendê-lo. Ficamos indignados com o plano e procuramos o Ministério Público, que, por fim, decidiu pela devolução de 40% do pagamento que já havia sido feito", lembra Clecivânia.

O desfecho da novela foi o socorro prestado pelo Hospital de Maracanaú. "Foi uma providência divina que repercutiu na qualidade de vida do meu irmão e no fim de um longo sofrimento", disse.

Serviço
Hospital Municipal de Maracanaú. 
Endereço: R. Padre José Holanda do Vale - Centro. Maracanaú - CE 
Telefone: (85) 3521-5067 
Site: www.maracanau.ce.gov.br/saude

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