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Quando as luzes se apagam e a sensação de estar sozinho parece iminente, as dificuldades são imensas, mas a superação mostra seu caminho sobre a vida das pessoas que perderam a visão. Alguns já nascem na escuridão e mesmo assim, tem uma longa caminhada para se adaptar ao mundo em seu redor. Os deficientes visuais em Aracaju, assim como os demais portadores de necessidade especiais, conseguiram inúmeras conquistas para o acesso à mobilidade da cidade nos últimos anos. Porém o caminho a ser percorrido ainda é longo.

Givaldo Souza da Conceição tem 37 anos e há oito perdeu a visão total vítima de um tiro de arma de fogo. Ele tem um filho de 14 anos e cuida de três crianças filhas de sua atual companheira. Givaldo se orgulha por expor a todos que não se abateu pela perda de seu sentido mais importante.

“Quando eu comecei a estudar orientação de mobilidade, eu bati o recorde, pois o professor me disse que a pessoa começa a andar sozinha com três ou quatro meses, e em um mês eu já estava andando, porque queria ser independente. Nós temos que sair de casa, não adianta, por isso hoje em dia eu pratico esporte e tenho minhas aulas de braile. Meu meio de transporte é o ônibus”, orgulha-se.

Apesar do otimismo, Givaldo reclama de algumas dificuldades enfrentadas diariamente. “Quando eu chego no ponto de ônibus, eu já chego dando bom dia, boa tarde e boa noite, se responder é porque tem gente, se eu fico sozinho no ponto, muitas vezes os ônibus passam direto, alguns motoristas param e perguntam, mas não todos. De dez ônibus, três param e perguntam”, relata.

José Carlos dos Santos nasceu com dificuldades na visão, e foi perdendo a visão aos poucos, ele conta que as luzes se apagaram aos 18 anos. Hoje com 28, ele está concluindo o ensino médio através do exame supletivo no colégio Alba Moreira. Mora em um dos bairros mais carentes da cidade, o Santa Maria. Mas tem disposição de sobra para praticar o GolBol que é um esporte muito praticado por pessoas que não enxergam.

“Já nasci com a deficiência, usei óculos até completar a maior idade e os médicos especialistas em que eu fui, disseram que meu problema era irreversível. Pelo que consta no relato médico, tenho uns 3% de visão. Consigo ver a luz do dia, mas a imagem das pessoas, eu não vejo, minha vista fica bastante embaçada”, explica.

Carlos também utiliza o ônibus para se locomover, e afirma que as pessoas que mais dão lugar são os idosos. “São os idosos e os deficientes físicos que mais cedem seus lugares para nós. Alguns motoristas exigem que cedam os lugares, mas outros não se importam com isso”, acrescenta.

Ambos reclamam muito das calçadas, o desnível na maioria atrapalha, além de outros perigos. “Boca de lobo aberta, pedras do cimento quebrado, orelhão, isso tudo é um risco. Como as calçadas não têm o piso tátil, muitas vezes temos que andar batendo bengala no chão e na parede, quando tem uma garagem aberta, nós entramos pensando que é uma esquina. Além disso, em algumas pistas mais movimentadas, nós precisamos de ajuda para atravessar a rua e as pessoas se fingem de surdas para não nos ajudar”, comenta Givaldo.

 

O motorista de ônibus José Carlos dos Santos, que há 10 anos transporta pessoas, conta que sempre teve o cuidado com seus passageiros, mas diz que alguns colegas precisam de cursos para criar esse tipo de consciência. “Minha empresa faz um curso com um psicólogo para os motoristas, além disso, nós temos a preocupação com o próximo, e eles têm as necessidades, uma pessoa sem visão não tem um dos sentidos mais importantes”, ressalta.

De acordo com o presidente do Conselho Estadual de Pessoas com Deficiência, Niceu Dantas Posener, as calçadas da cidade são totalmente irregulares, poucas ruas são adaptadas para o trânsito de pessoas com deficiência.

“As calçadas são muito irregulares, umas são mais altas, outras mais baixas, muitas vezes tem piquetes para impedir a passagem de carros e nós apelidamos isso de capa cegos, pois pode ferir. Tem muita calçada sendo feita irregularmente, é preciso do piso tátil e de várias medidas que facilitem nosso deslocamento. Um avanço foi à campanha da SMTT de calçadas livres, que deve virar lei municipal”, conta.

A campanha “Calçada Livre” foi lançada em 2007 pela Prefeitura de Aracaju com o intuito de sensibilizar a população aracajuana quanto à necessidade de liberação das calçadas, a fim de facilitar a mobilidade do pedestre, em especial, daqueles com mobilidade reduzida. A partir da campanha foi elaborada uma cartilha pela PMA em conjunto com CREA/SE, os Conselhos Estadual e Municipal das Pessoas Portadoras de Deficiência, Conselho Municipal da Terceira Idade e do Ministério Público. Na cartilha que deve virar lei, existem diversos estudos técnicos, inclusive estabelecendo prazos para adequação das calçadas.

 

Para Niceu o direito ao transporte para quem tem dificuldade de locomoção, foi facilitado nos último anos, com avanços importantes. “As empresas de trânsito em um acordo firmado com os conselhos dos deficientes estão promovendo cursos de capacitação a seus cobradores e motoristas. Inclusive uma empresa a VCA, está providenciando um curso de libras para os surdos. Eu tenho presenciado muito a melhora desses motoristas diariamente no tratamento com passageiros portadores de deficiência”, afirma.

 

No último dia 18, o prefeito Edvaldo Nogueira, em parceria com empresários do setor de transportes, entregou 14 novos ônibus à população de Aracaju, dando prosseguimento ao processo de renovação da frota.

Todos os veículos possuem assentos especiais, GPS e bloqueio de portas, além de elevador para cadeirantes. Com a entrega já existem na cidade 170 ônibus adaptados, e a partir de 2014, por lei federal, todos os ônibus terão de ser rebaixados para facilitar o acesso.

Até janeiro de 2011 mais 34 novos veículos integrarão a frota de ônibus de Aracaju. Segundo o diretor-executivo da empresa Tropical, Adierson Monteiro, as empresas vêm se esforçando para cumprir as metas da Prefeitura de Aracaju em relação ao transporte público. "Introduzimos a nova linha, fruto de uma necessidade da população, e em breve colocaremos mais veículos novos nas ruas", informa.

Por Bruno Antunes

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