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Um forte impacto na cabeça pode ser transmitido para coluna cervical e acabar provocando lesões neurológicas, levando à perda de movimentos; conheça a história de Guilherme e João Maurício, que hoje são cadeirantes por causa de um mergulho inconsequente

Você sabia que um simples mergulho no mar ou na piscina pode provocar danos irreversíveis à coluna? A pessoa corre o risco de perder todos os movimentos do corpo. Guilherme Palácio e João Maurício Rocha passaram por essa situação. Eles foram obrigados a mudar de vida, superar o sofrimento e dar a volta por cima.

Foi em 22 de setembro de 2001, numa tarde de sol na Ilha de Itamaracá, que o empresário Guilherme Palácio enfrentou o dia mais difícil de sua vida. Ele estava em um barco, com os amigos, quando decidiu dar um mergulho no mar. Mas, assim que caiu na água, sentiu um impacto forte na cabeça.

“Senti um impacto muito forte na cabeça. E não imaginava que tivesse tão raso. Quando eu senti o impacto, eu paralisei e fiquei com a cabeça dentro d’ água. Logo em seguida, me puxaram… E levaram até a areia. Chamei o amigo e disse que não estava sentindo do peito para baixo, eu não estava sentindo nada. Não tinha sensibilidade nenhuma”, conta.

Levado ao hospital, Guilherme passou por exames e ficou meses internado até receber a notícia. “Foi um psicólogo que chegou para mim, me chamou numa sessão e quebrou um lápis. E me mostrou. Ele disse ‘você está vendo isso aqui [o grafite do lápis]? Isso aqui foi o que aconteceu com a sua medula’. Então, ele disse que eu tinha tido uma ruptura total da medula. E que eu não iria mais voltar meus movimentos e que daí em diante eu ia ficaria tetraplégico o resto da vida. Nesse momento. Foi um baque muito grande. Eu passei algumas horas, para baixo, deprimido… Chorei muito”.

A depressão veio nos primeiros anos, depois do acidente. O corpo de Guilherme paralisou do pescoço para baixo. Consciente da nova vida que levaria, não perdeu a esperança de dias melhores. E eles vieram. A rotina em casa mudou… Tudo foi adaptado para o “novo” morador. Incentivado pela esposa, Guilherme, que tem 47 anos, montou uma nova empresa. Hoje, conta com a ajuda dos funcionários para visitar os clientes.

“Intimamente, eu até esqueço que estou com esse problema. Não sei se foi uma coisa que eu desenvolvi com o passar do tempo, mas tem horas que eu esqueço. Hoje eu escovo o dente só, faço a barba só, levo a comida até a boca. Eu uso computador, uso mouse, mesmo sem mexer os dedos, eu consigo os movimentos, que você vai procurando adquirir”, diz.

Acidentes por mergulho estão entre as principais causas de lesões medulares no mundo inteiro. João Maurício Rocha, superintendente da SEAD, também ficou paraplégico por causa de uma grave lesão na medula. Foi no verão de 2000, quando João mergulhou e bateu a cabeça no fundo da piscina.

“O mais intrigante disso tudo é que naquela época eu tinha pavor a olhar uma cadeira de rodas. Eu nem olhava. Inclusive nas minhas andanças, nas práticas de esportes radicais, enfim, ou até em viagens, quando a gente conversa com Papai do Céu, eu sempre pedi outra coisa que não acontecesse isso comigo, por incrível que pareça. E a primeira coisa que eu falei no momento do acidente, a um amigo que estava comigo, Rafael, eu disse a ele se fosse pra ficar desse jeito, naquele momento a gente tinha percebido que minhas pernas não se movimentavam e nem havia sensibilidade, disse a ele que preferia morrer a ficar daquele jeito”, admite.

Mas tudo mudou na vida de João, inclusive esse conceito. Cadeirante, o jovem de 31 anos hoje trabalha diretamente pelas causas dos deficientes físicos no estado de Pernambuco. 

“A partir daquele instante eu percebi que eu não podia andar mais com as minhas pernas, mas que eu era o mesmo João, que tenho uma vida ativa, uma alegria, uma vontade de querer viver, e participar do convívio social. E percebi que me eram impostas barreiras, não pela minha limitação, não por mim, mas as barreias que me eram impostas. Como a falta de acessibilidade arquitetônica, nos espaços tantos públicos como provados, e que me foram tolhidos por causa da minha nova condição. Mas a disposição existia antes, continuando existindo”, afirma.

João e Guilherme têm histórias parecidas, iguais a de milhares de outras pessoas. As dificuldades impostas depois de um descuido hoje não afetam mais a vida destes dois guerreiros. Se o corpo não responde mais aos instintos, a mente continua fluindo. “Os valores mudam. A forma de você ver a vida muda. Seus objetivos mudam, aquela ganância que você tem, até a forma de se divertir, tudo muda”, conta Guilherme.

Tocando apenas um dos dedos da mão no teclado, Guilherme digita no computador uma frase que resume bem esse sentimento: “Nós, deficientes, temos que ultrapassar os nossos limites, tendo todos os dias forças renováveis que vençam nossas dificuldades”.

Saúde

De acordo com o neurocirurgião do Hospital da Restauração Geraldo de Sá Carneiro o que é comum nesse tipo de acidente, de um modo geral, é que o impacto na cabeça é transmitido para coluna cervical e acaba provocando lesões neurológicas.

“A coluna é um arcabouço ósseo que protege a medula e está localizada entre o crânio e o tórax. A medula é prolongamento do cérebro. O comando que vem do cérebro e passa por esse grande fio, que é uma estrutura nervosa. As informações vêm do cérebro para a periferia e da periferia para o cérebro”, explica o médico.

Ele afirma que 50% das pessoas que apresentam lesões vertebrais podem apresentar lesões medulares. “Às vezes, o paciente tem fraturas graves, mas a medula não está sofrida, ou está parcialmente. O HR recebe muito esses pacientes, pelo menos 50% são lesões neurológicas, sobretudo na época do verão”, diz o especialista.

Segundo ele, se o impacto é leve e ocorre numa pessoa jovem, a dor será essencialmente muscular. Mas se aparecer um sinal neurológico, a orientação é procurar um hospital o mais rápido possível.

No caso dos idosos, principalmente os que sofrem de osteoporose, qualquer impacto, por mais leve que seja, pode provocar sérias lesões. “Até uma tosse violenta, passar por uma lombada no ônibus, pode provocar uma fratura. Porque o osso é frágil e isso pode causar deformidade e até complicações neurológicas”, alerta.

Cuidados

Na hora de mergulhar, é importante seguir algumas instruções básicas de como proteger a coluna e a cabeça. Se você nunca pulou, não sabe uma técnica de como saltar, ou não conhece a profundidade da piscina, do mar, é melhor não se arriscar. Por causa de uma atitude inconsequente, o que era para ser um momento de diversão e lazer, pode se tornar uma tragédia.

“O ideal é que a pessoa saiba realizar a técnica de salto e conheça a profundidade. Ou então não deve fazer nenhum salto que exponha a cabeça e o pescoço. A gente não pode confiar na água, pois a lâmina da água pode mascarar a real profundidade”, explica o chefe do Grupamento Marítimo, major Ferraz.

E se você está num clube, na praia, e percebe que alguém se acidentou após o mergulho, o que fazer? A orientação é manter a calma e tentar levar a vítima para um local raso, mas, sempre, fazendo o máximo para não mexer muito a coluna. “Socorre esse acidente para um local raso, sempre estabilizando a coluna, fazendo a proteção da coluna. Tem que manter a cervical até o devido resgate”, alerta o major.

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