testeO artigo fala sobre a visão de grupo de pessoas com deficiência que responderam questionamento enviado por e-mail da consultoria iSocial. Pessoas com nível educacioanal, com endereço eletrônico, com experiência profissional, coisa rara no panorama brasileiro atual, mas muito significativa.

 

Com lei de cotas incluímos 300.000 pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal. Mas o processo parece estar perdendo o fôlego, segundo relatório da pesquisa feita pela iSocial (www.isocial.com.br), que coletou dados e depoimentos de 800 pessoas com deficiência cadastradas em seu banco de currículos (30.000 candidatos), durante abril e maio de 2011. A iSocial é uma consultoria de inclusão sócio-econômica deste segmento da população, com onze anos de existência, que recruta, seleciona e trabalha a inclusão no local de trabalho. Parceiros de nosso blog informativo (endereço acima). Reproduzimos aqui algumas opiniões destas pessoas com deficiência, pois apesar de numericamente representarem minoria da população, são pessoas que tem acesso à um comput-dor, o que infelizmente é raro nesta condição, são voz significativa. Para conseguir emprego, fazem uma busca ativa, por ordem decrescente usam a internet, depois conhecidos, jornais, consultorias e redes sociais. Minoria fica só aguardando contato. E mesmo sendo mais preparados, 11,3% desconhecem a Lei de Cotas (proteção ao emprego da pessoa com deficiência). Entre os pesquisados 72,4% já foram beneficiados (ou ainda são) por esta lei inclusiva. Indicam que o mercado dá mais acesso aos deficientes físicos (71%), seguido pelos deficientes auditivos (20,3%). Na análise feita pelos pesquisadores há a ponderação de que deficiências físicas mais “leves” pedem pequenas mudanças de mobiliário ou tecnológicas, e a tecnologia assistiva ou a acessibilidade requerida para adaptar um deficiente auditivo é geralmente de pouca monta. Os demais deficientes permanecem em exclusão. Outra exceção – somente 1% declarou ter empresa própria e 3,4% trabalham de forma autônoma. Estaria a lei de cotas desencorajando o empreendedorismo? Estas pessoas pedem que os recrutadores das empresas façam um trabalho com seus chefes fazendo-os entender esta população como diversificação de mão de obra e não só obrigação legal à cumprir, possibilitando vagas melhores, de todos os setores da empresa (até chefia, se houver competência), e com planos de carreira. A impressionante porcentagem de 94,4% pede que gestores e profissionais de RH recebam mais acesso a informações e conscientização da realidade das pessoas com deficiência quanto à inserção no mercado de trabalho. Eles são a peça-chave da porta da firma para dentro – todos estamos aprendendo a conviver com todos (deficientes ou não) – e eles serão responsáveis pela gerência de cada inclusão, apontando quais as mudanças comportamentais decisivas em toda a equipe. “Nada sobre nós, sem nós.” – Disabled People of South África, 1986.

 
 

Abraços inclusivos,

Elizabeth Fritzsons da Silva

Psicóloga  e Diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência