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Atualmente, 131 crianças e adultos passam por tratamento, atendidas por 13 profissionais, entre fisioterapeutas, médicos e psicólogosMaria Cristina Guimarães Brito é daquelas mulheres que não fogem à luta. Sua principal batalha começou após dar à luz o seu primeiro filho. Durante o parto, Yuri teve paralisia cerebral e a doença comprometeu seus movimentos. “Ele veio a dar dois passos e cair aos 7 anos”, lembra Maria.
Nenhum obstáculo fez ela desistir de ver o filho dando os próprios passos. A dedicação da família fez Yuri ser escolhido pela Associação Baiana de Deficientes Físicos para um projeto pioneiro no estado, em 1991: a equoterapia.
O método, que utiliza o cavalo na busca do desenvolvimento biopsicossocial de portadores de deficiências físicas ou necessidades especiais, mudou a vida de Yuri. O projeto experimental desenvolvido pelo instrutor Max Lima durou só dois anos, mas conseguiu avanços significativos.
“Ele evoluiu muito no equilíbrio e no alinhamento postural. Quando Yuri estava montado, você não percebia a deficiência motora que ele tinha. Passei a acreditar que ali era o caminho”, relata Maria.

“O cavalo é o único animal que tem um movimento tridimensional, semelhante à marcha humana. É um movimento pra cima e pra baixo, pro lado e pro outro e pra frente e pra trás simultaneamente, como a cintura pélvica humana”, afirma a fisioterapeuta Paula Lima. “Isso faz o sistema nervoso de crianças e adultos com atraso de desenvolvimento motor se desenvolver melhor”.

O projeto experimental acabou e Maria Cristina arregaçou as mangas. Em 1993, encontrou na Polícia Militar o apoio que precisava para fundar o Centro Baiano de Equoterapia, nas dependências do Esquadrão de Polícia Montada.

“Começamos com Yuri e outras cinco crianças e nosso trabalho começou a repercutir depois que o CORREIO publicou a primeira matéria com a gente, feita por Jéferson Beltrão, em 1994. Muitas pessoas começaram a nos procurar”.

Com o surgimento de núcleos em Vitória da Conquista e Itapetinga, foi fundada a Associação Bahiana de Equoterapia, em 1997. No início, eram apenas dois cavalos, cedidos pela PM. Hoje são sete.

Atualmente, 131 crianças e adultos passam por tratamento, atendidas por 13 profissionais, entre fisioterapeutas, médicos e psicólogos, que recebem ajuda de custo via convênio com a Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão.

Cerca de 500 pessoas esperam por vaga, boa parte inspirada nos resultados de Yuri. “A equoterapia mudou minha vida em todos os sentidos. Ela me tornou independente. Faço tudo sozinho. Saio, pego ônibus, vou trabalhar sozinho”, orgulha-se Yuri, 31 anos, publicitário e auxiliar de escritório na Petrobras.

Conquistas viram exemplo
As conquistas de Yuri e Maria Cristina serviram de exemplo para a dona de casa Jeane Sousa. O filho dela também teve paralisia cerebral durante o parto.

“Quando conheci a história deles comecei a chorar e pensei: será que o meu filho um dia vai conseguir isso também?”, conta. Ryan tem 2 anos e começou a equoterapia este mês. “É uma esperança de ele poder equilibrar o pescoço, de poder sentar. Já é uma glória estar aqui, tô vencendo mais uma etapa da vida”, diz, emocionada. Já a operadora de caixa Cláudia Barros conheceu a equoterapia há um ano e comemora os resultados. O filho dela, Marcelo, 9 anos, tem déficit de atenção.

“O desenvolvimento dele não estava rendendo na escola, em casa, com as pessoas. Depois de entrar pro projeto, ele melhorou bastante”, afirma. E Marcelo ainda se diverte. “Acho legal. Antes eu nunca tinha andado de cavalo”, diz o estudante. Maria Cristina convoca outros interessados. “Cada família faz de seu filho o autor de sua própria história. Quero que os pais saibam que eles não estão sozinhos. Queremos ajudá-los a conduzir seus filhos para a vida. Com suas limitações, claro, como todos nós temos”.

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